Ei, caras com barba, e também outras pessoas! Eu sou Sam Lansky, pop erudito e fã de longa data da inimitável Kesha Rose Sebert (mais conhecida para o universo dos ouvintes como Ke$ha), e esta é a minha coluna, Pop Think, onde eu faço coisas como tentar convencê-los de que uma cantora, famosa por dizer que escova os dentes com uma garrafa de Jack Daniels, é realmente um gênio musical. (Mas, realmente, ela é!)
Difamadores têm direcionado suas sombras para a persona festeira-animal de Ke$ha, uso liberado de Auto-Tune e estilo excêntrico, mas essas críticas ignoram o seu enorme talento, tanto como vocalista e como compositora. Esta semana, estive observando como a moldura artística de Ke$ha brilha através de suas músicas – e como suas baladas mostram sua surpreendente profundidade.
Tenho acompanhado a carreira de Ke$ha há bastante tempo, desde a canção agitada “Backstabber” – que mais tarde apareceu em seu álbum de estréia, Animal, de 2010 – foi usada na série “The Hills” da MTV em meados de 2008. Havia algo de interessante, excitante e fresco sobre Ke$ha, uma misteriosa garota de LA com uma voz distinta e picante que vivia em uma mansão no Laurel Canyon com um pedigree rock-and-roll (The Eagles gravou Hotel Califórnia lá!) Tinha histórias loucas sobre vomitar no armário de Paris Hilton e invadir a casa de Prince, e sair com gatas cool de LA como Katy Perry e Bonnie McKee. (A primeira, é claro, viria a se tornar uma maciça superstar global, enquanto Bonnie escreveu várias das melhores canções pop dos últimos anos – claramente, essas meninas estavam fazendo a coisa certa.)
Claro, Ke$ha já tinha uma reputação como um talento promissor na indústria, ela estava fazendo backing vocal para artistas como Britney Spears e Paris Hilton, e co-escrevendo canções para a dupla australiana The Veronicas e o brilhante single de 2007, “This Love”. Seus primeiros trabalhos mostraram a séria promessa, desde o pop afiado da pegajosa/grudenta “Run Devil Run” (que ficou famosa na voz das famosas superstars do K-pop, Girls Generation) e o piscar, auto-consciente “Disgusting” (que entrou para o álbum de estréia de Miranda Cosgrove) para a menos escutada demo como a solitária “While You Were Sleeping” e a twangy “I’m The One” que evoca a antiga Shakira. Ke$ha leva os créditos pela escrita de todas as suas canções, um forte contraste com muitos dos seus contemporâneos, ela parecia incrivelmente prismática, uma artista com capacidade de elaborar excelentes melodias pop e continuando a ser divertida, charmosa e honesta em suas letras. (É claro, ela continua compondo bem em sua carreira, incluindo o hit de Britney Spears, “Till The World Ends”.)
A voz nunca foi abandonada, mas mudou muito dramaticamente ao longo do tempo desde quando ela começou a trabalhar com super-hitmakers como Dr. Luke e Benny Blanco. A música que colocou ela no mapa, “TiK ToK”, preparou o palco para tudo que veio depois. Fez dela uma artista famosa por cantar sobre viver intensamente, mais do que a vulnerabilidade da qual ela é inegavelmente capaz. “TiK ToK” comemora como “a festa não vai parar”, “We R Who We R” anuncia que Ke$ha e seus amigos estão “dançando como bobos”. E há uma sobre o clube que está “prestes a explodir”. (Talvez você já tenha escutado isso.) Isto estreitou o caminho para Ke$ha, eu acho. Como uma balada sincera, como as que ela realmente faz com maestria, seria como uma surpreendente mudança de direção.
Mas suas baladas ainda são surpreendentes, mesmo que elas tenham se tornado mais produzidas e mais sonoramente sofisticadas que suas demos antigas. As baladas de seu disco de estréia, Animal, como “Hungover” e “Dancing With Tears In My Eyes” são baladas pop, mas continuam com uma melancolia extremamente atraente. A melhor faixa do Cannibal, seu EP, foi provavelmente, “The Harold Song”, que é notavelmente lacrimosa, dada ainda como uma canção amigável as rádios. “I can’t handle it when I turn out my nightlight,” (Eu não posso lidar com isso quando apago minha luz á noite) ela canta suavemente sobre pianos antes de começar o incrível e lindo refrão construído com a repetição da linha “I would give it all to not be sleeping alone,” (Eu daria tudo para não estar dormindo sozinha), que se destaca na minha memória como uma das frases pop mais tristes no que me vem a memória recentemente.
Ke$ha queria “The Harold Song” como single do Cannibal. No final de 2011, ela escreveu em seu Twitter “The Harold Song no rádio?? Obrigado Animals. Isso fez minha noite. Eu adoro vocês. Beijinhos”, depois ela seguiu explicando “Essa é a minha canção favorita do Cannibal. Peçam ela por favoooor! Isso é muito especial para mim.” Embora a canção não tenha sido lançada oficialmente, não é difícil perceber porquê Ke$ha e seus fãs (incluindo eu) adoram isso demais. Considerando que muitas de suas canções fazem as pessoas sentirem como se estivessem se divertindo para se distrair dos sentimentos – decepção amorosa ou insegurança financeira ou confusão de identidade – “The Harold Song” é sobre enfrentar emoções em tudo que é desconfortável.
Eu já escutei algumas canções mais cruas que o cover que Ke$ha fez da canção do Bob Dylan, “Don’t Think Twice, It’s Alright” uma versão enxuta que está assombrando e moendo, a voz dela com som de choro e lágrimas engolidas sobre o arrepiante ruído do ambiente. Mesmo que a composição da canção não seja dela, sua capacidade de imbuir as palavras de Dylan com emoção é inegável. É simplesmente uma gravação extraordinária, que merece ser escutada e deve silenciar qualquer um que tenha afirmado que seus talentos vocais ou artísticos são limitados.
Ke$ha disse para a MTV algumas semanas atrás que, embora ela adore o “irreverente e sem remorso” tom de sua estréia, ela percebeu também que a “vulnerabilidade também pode ser uma força”. E quando ela diz que não será um “álbum inteiramente triste e acústico”, o cover de Dylan inspirou sua diversificação em seu próximo álbum. Ela está novamente em estúdio com Dr. Luke e está preparando o lançamento de seu próximo álbum para maio de 2012. A vulnerabilidade que ela está disposta a mostrar é deslumbrante e irresistível. Eu só quero que ela mostre para o mundo mais disso. Os resultados são muito impressionantes para passarem despercebidos.